Jovens, Sofrer as Aflições de Cristo: O Caminho Prático da Santificação
- Ronald Alves
- há 3 dias
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Crédito da imagem: Warley Frota
Vivemos em uma sociedade dopaminérgica e profundamente imediatista. Nesse contexto, negar a si mesmo tornou-se, talvez, a única cruz que muitos já não querem carregar no cristianismo contemporâneo. Textos como Romanos 6:15, Filipenses 1:29 e 1 Timóteo 2:3-4 parecem, para muitos, distantes ou até impraticáveis.
Dirijo-me especialmente a nós, jovens. A juventude cristã enfrenta um dilema diário: negar a si mesma ou se deixar conduzir pelos impulsos desta era. E que impulsos são esses? São os estímulos constantes de uma cultura moldada pela tecnologia e pela internet, que nos vendem performances idealizadas de sucesso, felicidade, relacionamentos perfeitos e conquistas extraordinárias.
Somos bombardeados por imagens de “boa vida” que criam comparações silenciosas e expectativas irreais. Cada notificação, cada curtida, cada novo conteúdo libera pequenas doses de dopamina, o neurotransmissor associado ao prazer e à recompensa imediata, alimentando em nós o desejo por satisfação instantânea.
Nesse cenário, o chamado de Cristo ao auto-negação, à renúncia e à perseverança soa quase contracultural. Entretanto, talvez seja justamente nessa contramão que reside a profundidade da fé cristã: aprender a trocar o prazer momentâneo pela alegria eterna, o impulso pelo propósito, a performance pela transformação genuína.
Veio a mim como uma flecha no coração a mensagem de que realmente necessitamos, aquela que nos conduz ao arrependimento genuíno e à separação do mundo e de suas paixões. Uma mensagem que nos confronta, nos aconselha e nos chama a algo mais profundo.
É a mensagem de sofrer as aflições de Cristo e com Cristo.
Muitos de nós, jovens crentes, travamos batalhas diárias contra o pecado. Lutamos, caímos, levantamos e, por vezes, nos frustramos com nossas próprias fraquezas. Em meio às quedas, chegamos até a questionar o amor de Deus por nós. No entanto, muitas vezes o problema não está na ausência do amor divino, mas na nossa resistência em negar, dia após dia, as nossas próprias vontades e desejos.
O medo de “perder algo”, prazeres, oportunidades, reconhecimento, nos aprisiona em um ciclo do qual a própria salvação já nos libertou. E esse medo não é simples; trata-se de um medo orgulhoso e carnal, o receio de sofrer as aflições que acompanham uma vida verdadeiramente rendida a Cristo.
Negar a si mesmo dói. Abrir mão das próprias vontades confronta o ego. Sofrer com Cristo implica aceitar a renúncia, a incompreensão e, muitas vezes, a solidão. Mas é nesse caminho que a fé amadurece, o caráter é moldado e o amor de Deus deixa de ser apenas um conceito para se tornar uma experiência transformadora.
O pecado só pode ser vencido, e a santidade só pode ser alcançada, quando estamos dispostos a enfrentar as aflições que surgem da constante luta entre a carne e o espírito. Negar os nossos desejos mais íntimos e preciosos é, talvez, aquilo que o inimigo menos deseja ver na juventude cristã destes dias: jovens que, mesmo sentindo as vontades carnais arderem, escolhem mortificá-las até que percam o domínio sobre suas vidas, decidindo viver plenamente para o Espírito e pelo Espírito.
A vontade de Deus, nosso Pai, é nos abençoar com casamentos direcionados por Ele, boas condições financeiras e conquistas pessoais que possam ser usadas para a glória do Seu nome. Contudo, como aprendemos em Tiago 4:6, “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”. Há um princípio espiritual inegociável: antes da exaltação, vem a humilhação; antes da honra, a rendição.
Por isso, muitas vezes precisamos sofrer por fazer o que é certo. Precisamos nos afastar dos desejos da carne e, em alguns momentos, abrir mão de coisas que nos são preciosas. Essa renúncia não é perda definitiva, mas alinhamento com a vontade perfeita de Deus. É o caminho da santidade, o processo pelo qual aprendemos a agradar ao nosso Pai celestial.
E após o sofrimento, vem a alegria. O próprio Cristo nos ensina em Mateus 6:33: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas”. Quando o Reino ocupa o primeiro lugar, o restante encontra seu devido lugar. A renúncia momentânea produz frutos eternos; a dor da obediência gera a alegria da comunhão com Deus.
Nós, jovens cristãos, precisamos tomar uma decisão consciente e corajosa: escolher sofrer pelo evangelho e pela negação da carne. Essa não é uma escolha popular, nem confortável, mas é o caminho que nos conduz a uma vida verdadeiramente santa e reta aos olhos de Deus.
Quando decidimos negar a nós mesmos, mortificar a carne e permanecer fiéis ao Senhor, mesmo em meio às lutas, estamos declarando que Cristo vale mais do que nossos desejos momentâneos. É nessa entrega que o nosso caráter é moldado e que aprendemos a viver segundo o Espírito.
E, ao caminharmos em obediência, experimentamos as bênçãos que fluem da perfeita vontade do nosso Pai não apenas bênçãos materiais, mas principalmente a paz, a maturidade espiritual e a alegria que vêm de uma vida alinhada ao coração de Deus.
Que escolhamos, portanto, a renúncia que gera vida, o sofrimento que produz santidade e a fidelidade que glorifica ao Senhor. Amém.
Ronald Alves




Texto fala sobre um assunto importante, você sofrerá, mas também vencerá em Cristo Jesus e isso nos dar melhor prazer e maior alegria do que antes.
É a dor da renúncia que produz a alegria da obediência a Deus! Texto edificante!
Muito bom!
Glória a Deus 🙌